CARTA ABERTA ao Prefeito Municipal e Secretário Municipal de Saúde de TIMON-MA                                                                                           

 

Exmo. Sr. Prefeito Municipal Luciano Leitoa e Sr. Márcio Sá, Secretário de Saúde.                      

 

Ao tempo em que lhes dirigimos os nossos mais respeitosos cumprimentos, escrevemos porque a prefeitura e a secretaria de saúde não tem  valorizado o trabalho realizado pelos Enfermeiros e Técnicos de Enfermagem deste município. Consideramos que vivemos tempos de emergência nunca antes enfrentada na história contemporânea e diante de tal cenário temeroso ocasionado pela PANDEMIA DO CORONAVÍRUS – COVID19, permita-nos algumas ponderações:

Nós profissionais do Atendimento Pré-Hospitalar (SAMU) fornecemos um serviço único que não pode ser feito por nenhum outra categoria de servidores. Por meio da aplicação efetiva de nossos conhecimentos e habilidades no locais de acidentes ou local de pessoas vitimadas por outras doenças, em locais insalubres e de grande risco para os socorristas que enfrentam diariamente a todos os tipos de violência urbana, nós estamos em uma posição singular para salvar vidas e prevenir ou aliviar o sofrimento. Estes profissionais aceitam a responsabilidade de prestar atendimento nas piores situações, onde o local é frequentemente caótico e acompanhado por, muitas vezes, de perigo e clima adverso. É no Atendimento Pré-Hospitalar (SAMU) onde o mais intenso estresse emocional invade a mente do profissional que tem em suas mãos os minutos ou segundos mais importantes da vida de alguém ou de uma família. As chamadas que nos solicitam desafiam habilidades técnicas e emocionais que estimulam nosso instinto do ansiado salvamento. Nossos dias tem sido difíceis, a labuta diária cansa nosso físico e principalmente o nosso emocional. 

Não é fácil lidar com a violência cotidiana que parte das ruas, a violência urbana nos assusta e nos apavora, pois somos a linha de frente na hora do caos, nas madrugadas silenciosas dos bairros mais longínquos da cidade e da zona rural de Timon. O enfermeiro se desgasta, tenta controlar o seu psicológico e, por vezes, precisa se recolher para se acalmar, respirar fundo por alguns minutos e retomar suas atividades. O salário poderia ser uma recompensa por todo esse esforço, mas, infelizmente, não é. o Enfermeiro acumula plantões, trabalha por horas initerruptas tendo que somar outros vínculos para ter um salário final que chegue perto da dignidade exigida pela Constituição. Cuidamos de tantas pessoas todos os dias, mas não conseguimos acompanhar o desenvolvimento de nossos filhos e até pouco convivemos com nossos pais. Eles cobram, sentem falta, mas a gente precisa ir para a luta e o coração dói por deixá-los, e agora, no pior cenário que ainda pode estar por vir, o trabalho nos exigirá cada vez mais equilíbrio e energia para atender a população TIMONENSE. O inimigo agora é INVISÍVEL, mais violento e fugaz que os acidentes de rua, e exigirá um RISCO OCUPACIONAL MÁXIMO DEVIDO A ALTA VIRULÊNCIA DO CORONAVÍRUS AQUI NO BRASIL E NO MUNDO.  Neste contexto, SUPLICAMOS aos gestores por algumas melhorias mínimas de trabalho:  

1. AJUSTE SALARIAL. NUNCA ANTES REALIZADO DESDE A NOSSA ADMISSÃO HÁ 04 ANOS. GANHAMOS ATUALMENTE 02 SALÁRIOS MINIMOS, ENFERMEIROS DE NÍVEL SUPERIOR E ESPECIALIZADOS EM URGENCIA E EMERGENCIA;
 
O plantão de 12 horas dos  Enfermeiros Nível Superior passou na época (há 4 anos) de R$ 300,00 para 175,00. DIFÍCIL ENTENDER TAL MUDANÇA QUE SE MANTÉM ATÉ HOJE, NOS ENVERGONHAM E NOS DEIXAM DESESTIMULADOS NO SERVIÇO. E MAIS ESTARRECEDOR É SABERMOS QUE O SALÁRIO DIMINUIU COM A SAÍDA DOS CONTRATADOS E ENTRADA DOS EFETIVOS À ÉPOCA DO CHAMAMENTO DOS ENFERMEIROS CONCURSADOS. 
 
Recentemente a equipe Médica foi recebida pelo Secretário e foi revisto o valor do plantão (QUE MERECEM TAMBÉM TODO O NOSSO RECONHECIMENTO). Conseguiram em diálogo justo o reajuste, e o secretário não sinaliza receber a Enfermagem para marcar uma reunião com os representantes para expor seus anseios.  
 
2. MUDANÇA DO GRAU DE INSALUBRIDADE DE 20% (Média) para 40% (Máxima), incluindo também os Técnicos de Enfermagem que se doam por inteiro por um (01) salário mínimo. (Algo em torno de 80 reais o valor do plantão). 
 
3. MUDANÇA DE CARGA HORÁRIA DOS ENFERMEIROS, DE 36 HORAS PARA 24 HORAS SEMANAIS, COMO A IMENSA MAIORIA DOS SERVIÇOS DE SAÚDE DO PAÍS. 
 
Todos os médicos do mesmo edital de concurso que tem em seu edital a mesma carga horaria que a nossa, já conseguiram diminuir e adquiraram o benefício (Reconhecemos que de forma justa). Talvez por contar com representantes mais efetivos na busca de suas necessidades.  A enfermagem ainda busca diuturnamente essa representação, porém sem efetivação até o momento desta carta. 
 
 A mudança supracitada suaviza em apenas 04 plantões por MÊS para cada profissional. Atualmente, apenas 05 Enfermeiros fazem parte da escala, que atualmente é muito desgastante, e isto aumenta o risco de exposição e contaminação mesmo utilizando todos os EPI’S outrora adquiridos pela instituição.    Acreditamos que o impacto econômico é mínimo e o benefício valeria o máximo aos profissionais e a população que receberá os serviços.   
 
Por conseguinte, reconhecemos e aguardamos ansiosos a resposta dos nossos gestores dos nossos pedidos, com a esperança de que seremos atendidos e reconhecidos neste momento de luta e de união, onde deveremos caminhar juntos e semear condições de exercer a mais bonita arte da existência humana que é a de ajudar o próximo. 
 
Com os melhores cumprimentos de elevada estima e consideração, 
 
 
Enfermeiros do Serviço Móvel de Urgência (SAMU 192) de Timon – MA 
 
 
 
“PORQUE VÓS, IRMÃOS, FOSTES CHAMADOS À LIBERDADE. MAS NÃO USEIS DA LIBERDADE PARA DAR OCASIÃO À CARNE, ANTES PELO AMOR SERVIVOS UNS AOS OUTROS. POIS TODA A LEI SE CUMPRE NUMA SÓ PALAVRA, A SABER: 
 
AMARÁS AO TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO’’. GÁLATAS 5:13-14) 
 
Timon-MA, 23 de março de 2020.